
Regulamento do prémio “Jovens Investigadores”. Associação Ibérica de História Militar – Fundação Batalha de Aljubarrota
23 Março, 2026Em Dezembro de 2025, a Associação Ibérica de História Militar (Séculos IV-XVI) e a Fundação Batalha de Aljubarrota, formalizaram um acordo para a atribuição de um prémio destinado a galardoar os trabalhos científicos sobre História Militar da Península Ibérica, entre os séculos IV a XVI, realizados por jovens investigadores menores de 35 anos.
No seguimento deste acordo, no passado dia 15 de Outubro de 2026, realizou-se a reunião do Juri da quinta edição do “Prémio Jovens Investigadores”, formado pelo Doutores Francisco García Fritz, António Palma Ramalho, João Gouveia Monteiro, Miguel Gomes Martins e Tiago Paz, que decidiu, por unanimidade, outorgar o citado prémio à obra apresentada a concurso pelo Doutor Gonçalo M. Ramos, intitulada Christians and Muslims in the Western Maghrib: difining a zonal Frontier (AH 818/CE 1415 – AH 928/CE 1521).
A obra premiada foi a tese de douramento do autor, orientada pelo Professor Doutor Hermenegildo Nuno Goinhas Fernandes, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em Julho de 2024, e aprovada por unanimidade e com classificação máxima.
Trata-se de um trabalho profundamente original, que permite “ver desde dentro” o norte de África do século XV e início do século XVI, no período posterior à conquista de diversas praças-fortes por parte dos Portugueses. O estudo traz à luz o impacto da presença militar cristã no território do Magreb ocidental, tanto na sub-fronteira setentrional, como na fronteira mais meridional (menos conhecida).
A obra destaca-se pela sua excelente organização interna e sustenta-se numa ampla e atualizada bibliografia internacional, assim como numa notável quantidade de fontes (cristãs e muçulmanas) cuja interpretação permite ao autor formular novos conceitos (como os de “campo exterior” ou “fronteira zonal”) e estabelecer, desde uma perspectiva problematizadora e pioneira, um vínculo decisivo entre a história política e social, de um lado, e a história militar convencional, por outro.
O Júri considerou o amplo alcance da aportação historiográfica da obra, tanto pela amplitude temática e cronológica, como pela complexidade do fenómeno estudado e capacidade de integrar perspectivas políticas, militares, territoriais, sociais e culturais. A proposta historiográfica deriva de uma interpretação da presença Portuguesa no Magreb Ocidental, que supera as perspectivas tradicionais centradas na conquista e expansão ultramarina, posicionando-a num marco mais amplo das sociedades fronteiriças medievais, contribuindo assim para uma nova compreensão das relações entre cristãos e muçulmanos de ambos os lados do Estreito.
O Júri decidiu ainda conceder uma Menção Honrosa à obra apresentada por Pedro Garcia Goulart, intitulada “Por quanto esteuera no palanque ataa o Recolhimento do Infante dom Anrrique” Perdão régio e serviço militar no Portugal de Quatrocentos: Os Indultos da Campanha de Tangêr (1437). Este trabalho corresponde à sua tese de Mestrado em História Medieval apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa em 2025.
Este trabalho, destaca-se pela sua madura exposição historiográfica, pela utilização de um corpo documental bem definido e por uma capacidade apreciável de formular problemas históricos relevantes e originais, como são as relações entre justiça, violência e o serviço militar, na monarquia Portuguesa do século XV.




